Adoçante: Dou ou não dou ao meu filho? | Consultório de Nutrição

written by The Cute Mommy 13 Agosto, 2016

Adoçante: Dou ou não dou ao meu filho?

Dá adoçantes ao seu filho? E iogurtes magros ou zero açúcares? E sumos light? E gelatina diet? E refrigerantes sem açúcares? Tenha sempre presente que existem muitos alimentos com estes compostos químicos que poderá estar a dar ao seu filho, mesmo não o querendo fazer. Atenção aos rótulos!

Em primeiro lugar, dizer-lhe o que são adoçantes. São ingredientes, naturais ou artificais, adicionados aos alimentos com fim de os adoçar, substituindo ou reduzindo o açúcar e as calorias. A vantagem que apresentam relativamente ao açúcar é a sua significativa maior capacidade de adoçar, conseguindo-o sem acrescentar calorias ou acrescentado poucas. Os adoçantes artificiais são os mais usados pela indústria alimentar.

Adoçante: Dou ou não dou ao meu filho?

Esta matéria é regulada pela União Europeia (UE) através de legislação própria, podendo consultar os edulcorantes (adoçantes) aprovados na Directiva 2008/60/CE de 17 Junho de 2008. Contudo, no que concerne a alimentos destinados a bebes (até 1 ano de idade) ou crianças de tenra idade (de 1 a 3 anos de idade) é também a legislação europeia que proíbe o uso destes ingredientes nesse tipo de alimentos.

A informação quanto ao uso, à segurança, às vantagens e às desvantagens é muito dispersa e díspar. Organismos oficiais que aprovam e autorização o recurso aos edulcorantes mencionam a sua segurança, principalmente em adultos, tendo a UE legislação própria para bebés e crianças até aos 3 anos de idade que desconheço que exista nos Estados Unidos da América, outra grande referência nesta área.

Não obstante isto e depois de rever diversas tomadas de posição de entidades e/ou indivudalidades fica instalada a confusão. Uns limitam-se a reproduzir o que as entidades oficiais emitem, outros vão mais longe e ao nível das crianças desaconselham que se dê alimentos com edulcorantes pela falta de estudos em número significativo e com conclusões contundentes, outros, sustentados nas posições de entidades oficiais, europeias e americanas, ainda vêm alguns benefícios no recurso a estes ingredientes.

Por tudo isto, tentarei transmitir a minha opinião admitindo a existência de outras e aceitando discutir o assunto e continuando-o a explorar.

Assim, por tudo o que se sabe hoje sobre os edulcorantes em idade adulta e pelas inúmeras interrogações que possam existir sobre o seu efeito nas crianças, o recurso aos edulcorantes para adoçar ou a alimentos que os contenham, devem ser eliminados ou muito reduzidos, mesmo naqueles casos que, em teoria, seriam os mais indicados clinicamente, como por exemplo, em crianças obesas. Isto porque, há forte evidência de nada resolverem, antes pelo contrário, por isso, nem nestas situações!

Quando me refiro ao que se sabe das interacções em idade adulta, refiro-me a alguns indícios, ainda sem certezas, segundo as autoridades europeias competentes, sobre a sua relação no desenvolvimento de alguns tipos de cancro. Mas, como disse, existe ainda alguma “confusão” científica, pois outros estudos parecem demonstrar interacções benéficas em outros cancros, como por exemplo, cancro de mama.

Outro dado em idade adulta é o comportamento que os edulcorantes potenciam no organismo. Se é certo que ingerimos menos calorias, pode não ser certo que seja exactamente assim que o nosso corpo o interprete e daí poder estar ligado a menores índices de saciedade e a adulteração do processo digestivo.

Adoçante: Dou ou não dou ao meu filho?Sabendo que uma criança se tornará num adulto, nesta matéria ainda não provaram o contrário! 🙂 , penso que deve evitar que a relação do seu filho com os edulcorantes, com os produtos diet ou com os produtos light se desenvolva pois, vimos que a eficácia no tratamento do excesso de peso é dúbia, que poderão surgir estudos contundentes quanto à relação com cancros e porque actualmente existe outro dado alarmante que é o facto de cada vez mais haver crianças de baixo peso.

Se ainda não fui suficientemente convincente para que “pense duas vezes” sempre que o seu filho lhe pedir do seu sumo light ou diet, digo-lhe ainda que as quantidades estudadas tidas como seguras, são recomendações calculadas por quilograma de peso corporal, por isso a ingestão máxima de uma criança é significativamente menor que a de um adulto. Eis o valor de consumo que não deve ser ultrapassado. (40mg x Peso Corporal por dia).

Termino dizendo-lhe que, edulcorantes, NUNCA em uso habitual; em crianças, NÃO COMO RECURSO PARA PERDA DE PESO; e admito um uso pontual de último recurso, do género: ”Não tinha mais nada, ou era isto, ou ficava sem lanchar…”. Porquê? Por tudo o exposto, pelo que se sabe, pelo que se pensa conhecer mas, em crianças, acima de tudo, pelo que ainda não se sabe. Esta última parte, é na minha opinião muito importante, pois, apesar de estas substâncias serem antigas, as investigações a que estiveram submetidas, caminharam mais para a segurança do uso dos mesmos em grandes quantidades e não tanto para os efeitos patogénicos que podem produzir ou com os quais se poderão relacionar.

Até ao próximo post,

Nuno Palas

Comments

You may also like

Leave a Comment

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.