Alergias alimentares Vs Intolerâncias alimentares | Consultório de Nutrição

written by The Cute Mommy 12 Janeiro, 2018

Alergias alimentares Vs Intolerâncias alimentares | Consultório de Nutrição

Alergia alimentar é um daqueles típicos temas de: “isso só acontece aos outros”, até que, para seu espanto, acontece ao seu filho ou sobrinho ou filho de uma amiga ou amigo.

Como as prevalências das alergias em crianças são baixas, a maior preocupação reside na evolução que tem tido nos últimos 10 a 20 anos, onde aumentou cerca de 20%. Num estudo recente, em crianças portuguesas dos 3 aos 11 anos, verificou-se uma prevalência, comprovada, de cerca de 1,5%. Contudo, quando olhamos para o contexto europeu os resultados pioram um pouco, cerca de 5%, mas mesmo assim, continuam a ser números bastante baixos.

Por isso, temos um problema em crescendo, mas de baixas proporções e que é ainda mais suavizado pelos dados epidemiológicos. Mais de 90% dos casos de alergia são originados apenas por 8 alimento: leite, ovo, amendoim, frutos secos, marisco, peixe, trigo e soja. Isto quer dizer que centenas deles são inócuos à esmagadora maioria das crianças e adultos.

Sabe-se hoje também que, apesar de ainda não se conhecer o gene que poderá ser o responsável, a componente genética é um forte determinante no risco destas alergias, e por isso, existindo histórico familiar de alergias alimentares ou outras, deverá ter uma atitude de maior precaução aquando da ingestão destes alimentos ou de outros na diversificação alimentar. Contudo, não deixe que isto seja um ditame na escolha alimentar para o seu filho.

E não deve deixar principalmente por 2 motivos. Primeiro porque é muito comum alergias alimentares em criança não existirem em idade adulta, e em segundo lugar porque poderemos não estar a falar de uma alergia e sim de uma sensibilização temporária, algo de deve ser valorizado, mas não um impedimento para continuar a ingerir o alimento, principalmente se este for importante na alimentação.

Alergias alimentares Vs Intolerâncias alimentares | Consultório de Nutrição

Importa também clarificar que, até pelo que iremos falar de seguida, sempre que estamos perante uma alergia alimentar, há, obrigatoriamente, envolvimento do sistema imunitário, há um combate contra algo que o corpo reconhece como agressor e daí, existir sintomatologia significativa, desde transtornos intestinais, manifestações na pele, etc., até ao choque anafilático (reação mais grave).

Estando perante uma alergia, esta pode ser identificada através de testes feitos na pele, onde, após exposição ao agente agressor, o organismo reagirá produzindo uma proteína, a imunoglobulina E.

Contrariamente a este processo, a intolerância alimentar obriga o organismo a reagir sem que o sistema imunitário seja ativado. Podem originar-se em pequenas inflamações ou até por falhas enzimáticas como acontece na intolerância à lactose. Nestes casos não existe produção de imunoglobulina E.

O tema das intolerâncias alimentares é um tema da “moda” cujo fundamento é muito importante que se interprete convenientemente.

Nem os defendo, nem os abomino. Acho que há casos onde uma anamnese bem feita, um histórico alimentar bem documentado e os sintomas bem definidos poderão enquadrar a intolerância alimentar, por exemplo, como acontece cada vez mais com o trigo. É crescente o número de não celíacos com sensibilidade intestinal a este farináceo. Mesmo nestes casos de intolerâncias, considero não fazer qualquer sentido gastar centenas de euros por um exame que o comprove. Bastará estar atento aos sintomas e fazer um registo e diário alimentar, ou ir à consulta com um nutricionista.

E se, apesar de limitado, o aceito para adultos, já nos casos das crianças é diferente. Os testes à pesquisa de intolerâncias alimentares, sejam eles sanguíneos ou ortomoleculares ou quânticos, etc., dar-lhe-ão resultados cuja interpretação é a retirada desses alimentos, sem qualquer tipo, à priori, de fundamentação, pois a fiabilidade dos mesmos é controversa (no mínimo) e as estatísticas dizem que a maior parte das sensibilidades alimentares são ultrapassada por volta dos 5 anos e idade.

Posso partilhar um caso clínico que me aconteceu. Uma menina de 9 anos, veio à minha consulta e já tinha restrições alimentares significativas ditadas por um exame laboratorial sanguíneo, ao ponto de a afetar em festas e convívios com amigos. Em consultas e pelas descrições, na minha opinião clínica, sem fundamento.

Esta restrição, para mim, numa criança, é admissível perante uma alergia, não pode ser perante uma intolerância.

Feita a distinção destes 2 temas e para concluir dizer-lhe o seguinte:

  1. As alergias alimentares apesar de estarem concentradas em 8 alimentos, obedecem a um padrão muito individualizado;
  2. Deverá estar mais atenta(o) se tiver já antecedentes familiares de alergias alimentares, asmáticos, rinite alérgica, etc.. Problemas de foro alérgico;
  3. Nas crianças a prevalência é baixa, apesar estar a aumentar, e maioritariamente, falamos de sensibilidades alimentares em vez de alergias;
  4. Com o crescimento, a prevalência da alergia desce de forma significativa;
  5. Se já puder existir alguma suspeita de risco, pelos tais antecedentes familiares, deverá estar já prevenida(o) com a medicação adequada, nomeadamente anti-histamínicos;
  6. Não existe tratamento que cure a alergia. Existe a evicção desse alimento e o controlo medicamentoso das crises.
  7. E no tratamento, hoje em dia, em alguns alimentos, por exemplo no leite, existe já protocolo para sua reintrodução no organismo sem o processo imunitário acontecer. Isto é feito através da exposição a pequenas quantidades desse alimento.

Até ao próximo post,

Nuno Palas – Instituto Médico do Porto

 

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