As tradições Natal começam nas crianças | Consultório de Nutrição

written by The Cute Mommy 9 Dezembro, 2017

As tradições Natal começam nas crianças | Consultório de Nutrição

Começo já por dizer como surgiu este post/artigo. A pesquisar no Google, deparei-me com inúmeras referências a receitas natalícias adaptadas para as crianças com a justificação de estas não gostariam das originais!! Confesso que isso criou em mim um sentimento de: “Mas que vem a ser isto? Natal tem de ser Natal.”

 

Há algo no Natal que o torna especial e, porventura, é o momento familiar com mais tradição e história. Todos nós recordamos os convívios em família e a tradição gastronómica que, por vezes, não obedecendo à tradição natalícia obedece à tradição familiar.

 

Venho de uma família que sempre passou o Natal reunida, um ano no lado do pai e no outro no lado da mãe. Hoje em dia, o Natal, é para mim, e noto também para a maioria dos da minha geração, mais sozinho e mais individual, com as famílias mais partidas. Por isso, como eu, julgo que muitos tiveram e terão de aprender a passá-lo de forma diferente, mas com a mesma alegria e com a preocupação, como eu, de perpetuar às minhas filhas as tradições familiares que os meus avós me apresentaram.

 

O que vou dizer a seguir, terá muito a ver com uma infância que outros não reconhecerão, porque é uma infância transmontana. Quem não se recorda, e que ainda o faz, de na tarde de 24 rapar a panela da aletria ainda quentinha? Quem não subtraía bolinhos de bacalhau, atrás de bolinhos de bacalhau da mesa posta? Quem não andava sempre a petiscar frutos secos? Quem não ficava desejoso da abertura dos bolos? Quem não ficava contente por também na ceia de Natal existir polvo para assim não ter de comer bacalhau? Quem, mesmo não gostando muito de bolo rei o comia pelo jogo do brinde e da fava? Quem não ficava expectante pelo momento da entrega de prendas? Quem não ficava à espera pelo dia 25 para comer o polvo que sobrava da ceia que ia a fritar com ovo e salsa? Isto, para mim é de Natal. E hoje? O que é?

 

As tradições Natal começam nas crianças | Consultório de Nutrição

 

O Natal, obviamente não é só alimentação, mas, sem dúvida, é uma componente muito importante, e mesmo o mais frugal dos portugueses exagerará no Natal. Mas estes laços da memória prendem-se à mesa e aos encantos das tradições alimentares.

 

Transmitir aos nossos filhos como eram os natais, acho que é nossa obrigação porque, só assim, manteremos vivas as memórias dos nossos avós, num tempo em que se considera que devemos voltar à alimentação base deles.

 

Com isto, não quero dizer que o Natal das minhas filhas é pior do que eram os meus com a idade delas, não o é. Mas, só não o é porque elas nunca saberão verdadeiramente como eram.

 

Depois desta descrição nostálgica do natal em infância já imaginam a minha opinião quanto a adulterações natalícias. Lamento se vou contra a opinião de alguém e o que direi nada de científico tem, ao contrário de todos os meus artigos anteriores mas, o Natal das crianças tem de ser o Natal dos adultos, dos mais velhos aos mais novos. São tradições que só ganham se forem transmitidas.

 

Digo muitas vezes nas minhas consultas que quem come de forma saudável todos os dias, não é mais saudável do quem come na maioria dos seus dias, por isso, mesmo que o Natal seja de abuso, para as crianças ou os adultos, é um período confinado a 2 ou 3 dias que em nada alterarão o perfil alimentar de uma pessoa.

 

Assim, já vemos que não há necessidade de as receitas natalícias incorporarem ingredientes ou métodos de confeção mais saudáveis do que os tradicionais com vista a ter um Natal mais saudável. Se o ano corre bem, na sua maioria, não serão 3, 10 ou 20 dias em 365 que alterarão o seu perfil mais ou menos saudável. Isto é válido para crianças e adultos.

 

Também aqui vimos que, pela manutenção da tradição, não mude nada para que o seu filho possa comer isto ou aquilo. Haverão sempre coisas que ele ou ela gostarão e comerão, como existirão outras que não comerá, mas, ano atrás ano, habituar-se-á a ver a mesa de uma determinada forma, habituar-se-á a reunir a família em redor de um bacalhau, ou polvo ou peru ou cabrito o que, em cada casa se fizer, mantendo tradicionais as refeições, as receitas e os doces tão característicos. Se os comer em outra altura do ano, não terão, de certeza, o mesmo gosto do que quando em feito em conjunto ou no Natal.

 

Isto é válido também para os avós que, na ânsia de terem o neto(a) agradado(a) e completamente contente são capazes de acudir a qualquer capricho que este lhe solicite, mudando toda uma ceia por ele/ela.

 

Quando o seu filho crescer, haverá coisa melhor do que o ouvir dizer: “- Na minha família o Natal faz-se desta ou daquela forma, comemos isto e aquilo…” Missão cumprida, passou-lhe a informação mais rica que poderia passar porque isso será sinónimo que vivem o momento em união e com a importância que merece.

 

O Natal é só uma vez no Ano!

 

Até ao próximo post,

Nuno Palas – Instituto Médico Privado 

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