Coronavírus – o que é mesmo importante saber

O tema mais quente do momento, especialmente agora que “finalmente” surgiram os primeiros casos em Portugal. 

Apesar de muito se falar sobre o assunto, talvez valha a pena tentar organizar de uma forma mais estruturada a informação que temos disponível e desmistificar algumas situações.

Os Coronavírus

A família dos Coronavírus é um grande grupo de vírus que provocam um espectro de doença bastante alargado e cujo nome deriva do facto de a sua estrutura se assemelhar a uma coroa. As doenças que esta família de agentes provoca pode ser variável, provocando a maior parte das vezes um atingimento das vias respiratórias, mas podendo ocorrer também uma infeção do trato digestivo. Trata-se de uma família de vírus ditos zoonóticos, referindo-nos aqui à sua forma de transmissão, que acontece quer entre animais como entre humanos.

A infeção por estes agentes pode ir desde uma intercorrência gripal ligeira (o mais frequente na maioria das pessoas), até doença grave, com o desenvolvimento de pneumonia, como já aconteceu no passado. 

Ainda em 2002/2003, a Síndrome Respiratória Aguda Grave teve origem numa estirpe de coronavírus (o SARS-CoV), transmitida através do gato almiscarado ao homem. Em 2012, a Síndrome Respiratório do Médio Oriente deveu-se também a uma outra estirpe de coronavírus (o MERS-CoV), onde a transmissão ao homem aconteceu a partir de camelos dromedários. De referir que há vários coronavírus conhecidos que “circulam” entre os animais e que (ainda) não se transmitiram aos humanos. É nesta base que o mais recente membro da família terá surgido. 

Para já, do que sabe e conhece deste novo agente, ele parece ser geneticamente semelhante ao SARS e por isso mesmo tem o nome de SARS-CoV-2 (do inglês Severe Acute Respiratory Syndrome), e a doença que provoca o nome de CoVID-19 (do inglês Coronavirus Disease 2019).

O período de incubação atualmente aceite para este vírus é de 2 a 14 dias e a sua transmissão pode ocorrer através de gotículas respiratórias, contacto direto com secreções infetadasaerossóis contaminados produzidos a partir de alguns procedimentos terapêuticos (como as nebulizações) ou por contacto com superfíciescontaminadas.

Sinais e Sintomas da CoVID-19

Os sinais e sintomas provocados pelo novo vírus são muito semelhantes aos de uma gripe. Ou seja: febretosseobstrução nasaldores muscularesmal-estar geral e/ou dificuldade respiratória

Nos casos mais graves, onde a disseminação da doença é mais agressiva, havendo atingimento mais acentuado de vários órgãos. O atingimento pulmonar pode levar à pneumonia, com consequente desenvolvimento de uma síndrome respiratória aguda grave, o atingimento renal à falência renal e eventualmente, pode ocorrer a morte do doente. 

As pessoas de idade mais avançada, as pessoas com doenças preexistentes (asma, diabetes, doença pulmonar obstrutiva crónica, doenças cardíacas, doenças renaissão mais vulneráveis à doença e apresentam por isso maior risco de evolução agressiva, aparecimento de complicações e morte. 

A palavra-chave: Prevenção

Sendo que ainda não há tratamento especifico para o CoVID-19, sendo que a terapêutica de base dos doentes apenas de suporte, as medidas de prevenção da infeção são a melhor arma que temos ao nosso dispor, de relembrar que, sendo este agente um vírus, os antibióticos não são eficazes no tratamento da infeção (os antibióticos “matam” bactérias).

Assim, medidas como a lavagem  das mãos frequentemente com água e sabão ou com uma solução alcoólica (e pelo menos durante 30 segundos);  a higienização regular das diversas superfícies; higiene respiratória (tapar a boca quando espirramos ou tossimos); a confeção adequada dos alimentos; a evicção de contactos interpessoais muito próximos, como os apertos de mão, abraços ou beijos, sobretudo se houver indícios de doença na outra pessoa (febre, tosse, espirros) e a manutenção de uma distância “social” de pelo menos 1 metro com as mesmas; a evicção de espaços com multidões ou grupos alargados, sobretudo em ambientes fechados, representam a melhor forma de nos protegermos.

De acordo com a situação atual em Portugal, não está indicado o uso de máscara para proteção individual, exceto em situações especificas: 

– Pessoas com sintomas de infeção respiratória;

– Suspeitos de infeção por CoVID-19;

– Pessoas que prestem cuidados a suspeitos de infeção por CoVID-19.

Estas medidas visam a proteção individual, mas também a proteção de terceiros ao permitir evitar a disseminação em caso de infeção.  

Se por ventura tivermos a necessidade de cuidar de alguém doente – com febre, tosse e/ou outros sintomas, não esquecer de usar máscara e de praticar a higienização das mãos com muita frequência. 

Terminando, relembro que se apresentar alguns dos sintomas de doença já descritos, e se esteve recentemente em algum dos locais onde o vírus se tem disseminado, ou se contactou com alguém infetado pelo CoVID-19, deve procurar ajuda médica precocemente. Se os sintomas forem ligeiros, como em tantas outras infeções, fique por casa até que se sinta completamente restabelecida(o). Deixo aqui um link para um vídeo da OMS que dá uma ótima explicação sobre este novo agente: https://youtu.be/3MkRE2rG4Ok.

Até breve

Brenda Domingues, Mãe de dois Príncipes e Médica de Família

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