CRÓNICA: PARTIR… | DIARY

written by The Cute Mommy 1 Outubro, 2017

Nunca é fácil deixar um lugar onde fomos e somos felizes. 

Temos que aprender a lidar e a gerir as saudades, por vezes o sentimento de vazio, temos que nos compreender no silêncio e sobretudo nos entendermos muito bem connosco. Lidar consigo próprio, ouvirmo-nos, entendermo-nos, compreendermo-nos e aceitarmo-nos nem sempre é tarefa fácil. E estar longe da nossa zona de conforto implica muitas vezes isso, implica “ouvir vozes” que nos questionam constantemente das nossas escolhas.

Mas ir é um acto de coragem. Não tenho dúvidas disso. Sairmos da nossa zona de conforto, do nosso porto seguro para voarmos, empacotar toda a nossa vida numa mala de 20 ou 30kg e ir “com a cara e com a coragem”, sem saber o que lá está e quem está do outro lado, pior, se estará alguém do outro lado… é para os “duros”.

Por vezes o ir é perverso. Cada partida é difícil, pesada, dolorosa e profunda. Pior do que lidar com o nossa tristeza em cada despedida é perceber a dor e o aperto no peito de quem cá fica. Mas não deixo de admirar a força e a coragem de quem começa de novo e vai, vai com os seus 20 ou 30kg de vida, memórias, mas sobretudo com um coração cheio de sonhos.

Eu prefiro não ver o lado mais sombrio, prefiro ver sempre o outro lado… 

Prefiro ver o lado bom das coisas, para mim o meu copo está e estará para sempre mais cheio que vazio. Eu prefiro sair da minha zona de conforto, eu escolho voar. Eu escolho montar, desmontar e construir tudo outra vez, eu escolho os momentos de alegria mas também os de solidão que nos fazem questionar se faz sentido estarmos ali ou aqui.

Porque somos experiências. Porque também somos o que a vida nos dá, somos vivências. Porque somos sonho, somos inquietude, somos o borbulhar na pele, somos o medo mas a coragem, somos a lágrima e o riso, somos a solidão e a multidão.

Porque sou grata a tudo. Porque decidi ser feliz seja onde for, porque a felicidade é um sentimento que vem de dentro para fora muito mais do que o inverso. Porque eu sou e estou como e onde quero.

Porque em cada ida e vinda vou de coração cheio, muito cheio. Cheio de memórias, experiências e conquistas. Mas estou sempre aberta a novos voos, mais sonhos e mais disposta a abraçar cada diferença e cada experiência. 

E se correr mal estou viva, existo e sou capaz de recomeçar de novo.

Com amor, Leninha.

 

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