Falta de atenção “O meu filho é uma cabeça no ar!” | Consultório de Psicologia

written by The Cute Mommy 24 Junho, 2016

Falta de atenção

À primeira vista, o titulo sugere o tema Perturbação de Hiperactividade, mas não! Esta perturbação é um transtorno neurobiológico, de causas genéticas, que aparece na infância e que frequentemente acompanha o indivíduo por toda a sua vida, e não é uma “doença da moda”, é mesmo reconhecido pela OMS (Organização Mundial da Saúde).

Mas, o que deixarei adiante é informação sobre a falta de atenção típica na infância, aquela criança que dispersa atenção facilmente, o que é muito comum em crianças entre os três e os seis anos e não representa outro problema significativo.

Os pais e educadores são os mais preocupados e atentos a estes sinais, as crianças não prestam atenção as recomendações, não executam as tarefas do princípio ao fim, distrai-se facilmente com os seus próprios pensamentos, são despistados, desconcentrados e irrequietos, mas a maior parte das vezes, estas crianças, são saudáveis e toda esta inquietude é típica de um ser curioso e ávido de conhecimento. Nesta fase, precisam de agentes educativos que os compreendam, forneçam condições que os orientem e os ajudem a concentrar-se.

Penso até que muitas vezes o problema está nos adultos e não nas crianças. Sim, porque ser curioso é normal, principalmente quando se tem entre 2-6 anos, e se está em descoberta constante de estímulos novos, que só dá vontade de sentir, tocar, mexer, ouvir, experimentar, explorar para entender. Obviamente, que esse mundo já não é novidade para um adulto, é um dado adquirido, e a ele só tem acesso o adulto dotado de paciência, sensibilidade e “jeito para as crianças” para responder a todas as suas questões e dúvidas.

As crianças são seres exploradores e quando lhe é permitido experimentar, obviamente com toda os cuidados e informação necessária para em segurança satisfazerem a sua curiosidade, atingem níveis de felicidade e satisfação elevados. Aos adultos cabe a função de entender, acompanhar e proporcionar este ser sedento de informação as mais variadas experiências de todas as formas e feitios que estiverem ao alcance, com a certeza que só se vencerá pelo cansaço quando á cama chegar.

falta de atenção 1

A seguir, deixo algumas dicas aos agentes educativos e que poderão auxiliar em momentos que seja necessário sua atenção para a realização do que pretendemos:

  • Devem garantir que as crianças ouviram a ordem que lhes deram;
  • Deverá dirigir-se e aproximar-se da criança para lhe dar a ordem (e.g. não dar a ordem da cozinha para a sala);
  • Dar uma ordem de cada vez usando uma linguagem simples e clara;
  • Falar directamente para a criança (cara-a-cara);
  • Usar o toque para apoiar a mensagem que transmite (tocar no ombro da criança enquanto lhe transmite o que quer);
  • Validar se ficou entendido o que pretende da criança questionando-a o que tem que fazer;
  • Pedir que repita a ordem para certificar que ouviu e entendeu.
  • Permita uma alimentação equilibrada e rica em alimentos com fósforo (e.g. peixe);
  • Proporcionar um bom descanso e uma boa rotina de sono (numero mínimo de horas de sono diário de 9h);
  • Contar histórias as crianças e levantar questões a medida que a história vai avançando e no final;
  • Incentivar o gosto por jogos lúdicos, como puzzles e construções. O adulto deve fornecer dicas e estratégias sempre que a criança sentir dificuldade;
  • Recompensar o bom desempenho e reforçar as qualidades;
  • Atenção á participação em actividades extracurriculares e não o sobrecarregar;
  • Manter o ambiente doméstico harmónico e organizado;
  • Incentivar a organização e capacidade de planeamento das suas tarefas;
  • Promover o pensar antes de fazer (planeamento mental antes da execução das actividades);
  • Incentive a uma vida ativa, participação em actividades ao ar livre e práticas desportivas para gasto de energias.

E quando se percebe que afinal se trata de uma Perturbação de Hiperactividade?

Os pais ficam muitos ansiosos quando os filhos apresentam comportamentos de desorganização e agitação, principalmente quando a entrada para o 1º ciclo se avizinha. Claro, que perceberam a presença dos sintomas antes da escola, mas não têm clareza se essas manifestações são esperadas ou não para a idade. A escola serve como um balizador, apontando que determinados comportamentos são de fato disfuncionais e merecem avaliação especializada. Para se diagnosticar a Perturbação é preciso que ocorram sintomas com frequência bem maior que nas outras pessoas, é fundamental que atrapalhem as principais actividades da vida diária.
Espero que tenham gostado.

Até Breve

Núria Silva

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Imagens retiradas do Google

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