Se há temas sensíveis para uma grávida, o peso é um deles e um dos principais. Quem
o controla sente-se orgulhosa, quem não o controla torna este assunto proibido,
passando a ser tema sensível.

Mas afinal qual o impacto do peso na gravidez? Vale mesmo a pena tentar controlá-
lo? Os riscos são só para as grávidas?
Iniciar uma gravidez com excesso de peso ou grande excesso de peso (obesidade) está
associado a um aumento de riscos para a saúde da grávida e do bebé. Penso que isto é
mais ou menos um dado adquirido.
No entanto, o aumento de peso em excesso durante a gravidez, independentemente
do pré-gravidez, está também associado com significativos efeitos prejudiciais à saúde
de ambos. Para a grávida estão descritos os riscos de pré-eclâmpsia, da necessidade
aumentada de uma cesariana, do nascimento de um bebé prematuro e do
desenvolvimento de diabetes gestacional. Para o bebé poderá ocorrer hiperglicemia,
hiperbilirrubinemia e excesso de peso à nascença. É ainda utilizado como indicador de
obesidade a longo termo, ou seja, o excesso de peso durante a gravidez pode estar
relacionado com um risco maior de um adolescente obeso.

GRAVIDEZ E PESO. ALIADOS OU INIMIGOS | CONSULTÓRIO DE NUTRIÇÃO
Este problema tem a expressão que tem porque diversos estudos apontam para um
aumento de peso acima do desejável em praticamente 50% das gravidezes! Valor
muito significativo.
Ainda esta semana, a Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, alertou para o fato
de existirem, em Portugal, cada vez mais grávidas obesas com diabetes, hipertensão
arterial, síndroma depressivo e doenças osteoarticular, colocando em maior risco as
grávidas e os bebés.
Para este cenário contribuem os estilos de vida sedentários e o descontrolo do peso,
assim como a idade média do primeiro filho que, segundo a base de dados Por data,
passou de 26,5 anos no ano 2000 para 30,3 no ano passado.
Sendo a idade do primeiro filho cada vez mais tardia, aproxima-se perigosamente de
idades tidas como normais para a aquisição de certas patologias de carga genética e de elevada determinante comportamental, das quais se destacam as relacionadas com
estilos de vida pouco saudáveis, inativos e completamente desregrados.

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Com isto, não pretendo transmitir a ideia de que é um erro atrasar a maternidade, seja
porque motivo for, longe de mim isso! Essa escolha terá de ser sempre uma decisão
individual. Contudo, hoje em dia e cada vez mais, é isso mesmo, uma escolha, e cada
um toma a que achar mais adequada para si, mas, esta deve ser consciente dos riscos
que corre e dos cuidados que deve ter. Em muitos destes casos, é importante que os
futuros pais conheçam a história clínica familiar, o histórico de medicamentos tomados
pela mãe e passem a ter uma gravidez mais acompanhada e com mais cuidados no
controlo do peso e da alimentação.

Mas o que é isto de excesso de peso ou quais são os seus limites. Há regras?
Como em tudo na vida há regras que podem e devem ser seguidas, mas acima de tudo,
necessitam também de ser interpretadas em função de variantes individuais,
nomeadamente, neste caso, riscos de saúde pelo historial clínico (o obstetra
acompanhá-la- á nesse sentido), e o peso e o Índice Massa Corporal (IMC) antes da
gravidez.
Assim e, segundo Programa Nacional para a Vigilância da Gravidez de Baixo Risco da
Direção-Geral de Saúde, de 2015:

 

Faça por isso um esforço para ficar dentro destes parâmetros, caso contrário pode
deteriorar a saúde do seu filho, mesmo que não seja no imediato pode acontecer a

longo prazo, como alguns estudos sugerem acontecer, e a sua também, obviamente.
Mas pelos filhos fazemos os possíveis e impossíveis.
Até ao próximo post,

Nuno Palas
http://www.institutomedicoprivado.com
0111 N Ordem dos Nutricionistas

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