Onicomicose… um problema de unhas | Consultório Médico

written by The Cute Mommy 4 Janeiro, 2018

Onicomicose... um problema de unhas  | Consultório Médico

A onicomicose, ou tinha das unhas, é uma infeção da unha frequente na população em geral, sendo causada por fungos, mais frequentemente dermatófitos (com apetência para a queratina da pele) e menos frequentemente por outros tipos de fungos (como as leveduras ou os fungos não dermatófitos).

O contágio ocorre com mais frequência em ambientes húmidos como as piscinas, balneários e duches comuns.

A doença desenvolve-se lenta e progressivamente, sendo que habitualmente a unha começa por ficar branca mate e posteriormente amarelada ou acastanhada. A sua evolução ocorre na forma mais frequente, da ponta da unha para dentro. Com o desenvolver da doença, a lâmina ungueal (a unha) vai-se tornando mais espessa (hiperqueratósica), deformada e friável (quebra com facilidade) e há medida que progride a infeção, é frequente o descolamento progressivo da unha em relação ao seu leito na pele (onicólise).

 

Causas e fatores de risco

O contato com o fungo só por si só não é habitualmente suficiente para que se adquira a infeção fúngica. São necessárias pequenas lesões entre a unha e da pele para que o fungo consiga penetrar por baixo da primeira. Além disso, também é necessária uma exposição frequente a ambientes húmidos que facilitem o crescimento do fungo.

Assim, a exposição recorrente e frequente a ambientes húmidos, o calor e os microtraumatismos sobre as unhas – como ocorre no caso dos nadadores, futebolistas, corredores ou bailarinas, facilitam o aparecimento da infeção. De salientar que a onicomicose das unhas dos pés é muito mais frequente do que a das unhas das mãos. No entanto, existem profissões de risco para as micoses ungueais das mãos como é o caso das donas de casa, pessoal sanitário e de limpeza e o pessoal de cozinha pela imersão frequente das mãos em água e exposição a recorrente a químicos.

Da mesma forma, o uso de calçado apertado durante várias horas seguidas, por aumentar a transpiração dos pés, também favorece o aparecimento de onicomicoses.

Outros fatores de risco individuais a que se associa uma maior frequência de micose ungueal são a diabetes, o HIV, a idade avançada, a psoríase ou o uso de medicação imunossupressora.

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Sintomas e sinais

Há vários tipos de onicomicose com base na sua extensão e localização. O sinal mais frequente de uma onicomicose é a alteração cosmética da unha – há uma alteração da cor, e a sua resistência diminui passando a ser frequente a deformidade e friabilidade ungueal (unha quebradiça), além de descolamento da própria unha (onicólise).

Não é uma patologia que provoque habitualmente dor (embora esta também possa ocorrer), mas é muito incomodativa pela exposição a que submete o indivíduo e, dada a sua evolução lenta e insidiosa, o tratamento é igualmente moroso levando várias semanas até que se consiga uma cura completa.

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Diagnóstico

O diagnóstico é sobretudo clínico embora seja possível o diagnóstico micológico (a identificação do agente especifico causador da onicomicose). Na maioria dos casos, não é necessário este tipo de estudo dado que a apresentação clínica e a extensão da onicomicose ditam o tipo de tratamento a seguir, permitindo taxas de cura muito elevadas. Só em casos de falência terapêutica é que os doentes podem ser orientados para a Dermatologia para uma investigação do agente causal.

 

Tratamento

A onicomicose é muito frequente na população em geral e felizmente é habitualmente de tratamento fácil, embora como já dito antes, moroso e muito lento.

O tratamento de eleição passa muitas vezes pelo tratamento combinado de antifúngicos tópicos e sistémicos (por via oral), dependendo a decisão terapêutica do tipo de onicomicose (mãos ou pés), da sua localização na unha, extensão e gravidade (nº de unhas atingidas e percentagem da unha atingida).

A avulsão mecânica/cirúrgica ou química da unha é por vezes necessária para resolução completa da infeção.

Idealmente, para o uso de tópicos o atingimento não deverá ser superior a 2 unhas com menos de 50% da unha atingida, e sempre sem doença da matriz ungueal (tecido que dá origem à unha, sob a cutícula) nem pode ser a 1ª unha do pé a afetada. O tratamento tópico demora habitualmente o dobro do tempo do tratamento oral. Não raramente, poderá haver contraindicação médica para o uso de antifúngicos orais, restando apenas o tratamento tópico e/ou a avulsão (idade avançada, nas grávidas, na amamentação, em crianças ou na doença hepática).

O tratamento das micoses das unhas pode ser contínuo (diário) ou intermitente (em ciclos semanais). O uso de antifúngicos por via oral obriga a uma avaliação analítica da função hepática antes e durante o tratamento, sendo que no caso da terbinafina deve ser realizado também um hemograma, devido a alguns efeitos laterais destes compostos, cuja toxicidade não é negligenciável. Deste modo, é igualmente fundamental uma revisão da terapêutica habitual do indivíduo para minorar as interações farmacológicas. De reforçar que o tratamento das onicomicoses é lento, sendo que para as mãos são necessários no mínimo 6 semanas e para os pés habitualmente o dobro.

Segundo os estudos, a percentagem de cura é superior no uso da terapêutica combinada (tópicos e orais) e o uso contínuo tem também maior percentagem de cura do que os tratamentos intermitentes.

A cura é atingida quando a unha tem aparência completamente saudável, sendo que a unha doente não recupera, apenas nasce a unha “nova” já livre de infeção.

Termino dizendo que a recidiva é elevada, cerca de 50%, sobretudo nos primeiros dois anos após a infeção.

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Espero que o artigo vos tenha sido útil.

Até breve,

Brenda Domingues, Mãe de dois Príncipes e Médica de Família

 

 

 

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