Os sinais de alarme na gravidez | Consultório médico

written by The Cute Mommy 3 Junho, 2018

Os sinais de alarme na gravidez | Consultório médico

Não há momento das nossas vidas como a gravidez… para o bem e para o mal. Há quem adore e considere um verdadeiro “estado de graça” e há quem deteste, mesmo quando as coisas correm bem… eu pertenço à segunda categoria, porque detesto estar grávida e já tive de ambos os lados (a primeira gravidez “santa” e a segunda uma gestação de alto risco).

Mas opiniões à parte, há algumas coisas que creio que todas as grávidas, para não dizer todas as mulheres em geral, devem saber e estar atentas para saberem o que fazer se acontecerem.

 

Quando nos devemos preocupar de imediato

À cabeça, há um que qualquer pessoa sabe que nunca deve ser considerado como normal na grávida e que obriga sempre a recorrer ao médico, preferencialmente a um(a) obstetra – a perda sangue vaginal. Desde a ameaça de abortamento ao descolamento da placenta, à placenta prévia (placenta que se insere na porção inferior do útero nomeadamente ao nível do colo) ou à gravidez ectópica, uma perda de sangue é sempre para recorrer a um serviço que disponha de Ginecologia/Obstetrícia de urgência. Entre outras coisas, será sempre avaliada a mãe, o bébé, o útero e a placenta o que passa por fazer uma ecografia, entre outras coisas mais. Há inúmeras causas para esta perda de sangue, algumas das quais até são benignas e não conferem risco (como patologia benigna do colo do útero ou vaginal, por exemplo), contudo, o risco de poder ser um problema potencialmente grave, obriga a uma avaliação diferenciada.

A perda de liquido amniótico (um líquido claro, transparente) que se assemelha a uma perda de urina involuntária. Podem existir perdas precoces na gravidez e por diversos motivos, mas nunca por um bom motivo. A rotura da bolsa amniótica pode levar a um parto prematuro ou a um abortamento, e pode ser indicadora de outros problemas. Por isso, novamente, vai ser necessária avaliação clínica dirigida e quase obrigatoriamente será necessária uma ecografia (entre outros exames complementares de diagnóstico) para ajudar a confirmar (ou não) a perda e a estratificar eventual risco para o bébé.

Dores no fundo da barriga, recorrentes, regulares e ritmadas, ou seja, a intervalos certos e com encurtamento progressivo destes. As contrações que cumpram estes requisitos devem ser também avaliadas por poderem significar um trabalho de parto (normal e esperado no final da gestação, mas preocupante se antes do tempoprevisto). As contrações assemelham-se a cãibras onde inicialmente poderá não haver até qualquer dor e onde a mulher apenas sente a barriga ficar “dura” periodicamente. O primeiro passo é começar a controlar o tempo entre cada uma dessas “contrações”. Se parecerem regulares e ritmadas e não cessarem ao fim de 30 minutos, a grávida dever avaliada clinicamente por poder estra em trabalho de parto. De referir que durante a gestação e a partir do 2º trimestre é comum (e normal) começarem a ocorrem algumas contrações relacionadas com o crescimento uterino e mais tarde com a preparação do útero para o parto. Mas estas contrações, denominadas de Braxton-Hicks, são uma espécie de espasmos, não sendo dolorosas e não evolutivas. Ou seja, duram uns minutos (20 a 30min) e não são habitualmente regulares – ora têm intervalos de 5 minutos ora de 10 minutos ora de 7. Contudo, e como em tudo, na dúvida, mais vale jogar pelo seguro.

Dores de barriga fortes em qualquer fase da gravidez ou uma pressão pélvica intensa também devem ser avaliadas pelo risco por exemplo de se tratar de uma gravidez ectópica (uma gravidez fora da cavidade uterina), um trabalho de parto/abortamento ou outra patologia como uma apendicite, um problema agudo da vesícula ou uma cólica renal (sim, nem tudo se deve à gravidez!).

Dores de cabeça fortes, intensas com ou sem alterações da visão associadas, inchaços marcados das pernas e/ou de outras partes do corpo. Há uma entidade na gravidez pela qual nós médicos temos um enorme respeito e que tememos bastante – a pré-eclâmpsia. Esta é uma urgência médica de tal forma que implica muitas vezes antecipar o parto, até mesmo de forma prematura. É uma doença grave apenas das grávidas, e que comporta um elevado risco de vida quer para a mãe quer para o bébé. Caracteriza-se por elevação da pressão arterial, edemas marcados dos membros e/ou face, e cefaleias muitas vezes com alterações da visão. A pré-eclampsia passa a eclâmpsia quando surgem convulsões.

Diminuição dos movimentos fetais. A partir da 35ª semana, as grávidas são devem começar a contar os movimentos do bébé. Assim, em 12h do dia o bébé tem de se sentir pelo menos 10 vezes. Caso isto não se verifique, a diminuiçãoda perceção materna dosmovimentosdo bébé obriga a uma avaliação imediata pela especialidade. Apesar de esta ser a norma, eu costumo ainda acrescentar que se o bébé mexe menos que o habitual, também vale a pena ser feita uma avaliação. Mas atenção, que não interessa a “força” com que sentimos o bébé a mexer-se. Só interessa sentir que se mexe, seja ao de leve ou com um valente “pontapé”. A verdade é que à medida que o nosso rebento cresce na barriga, o espaço diminui e com isso diminui a amplitude de movimentos que ele consegue fazer, o que faz com que no final da gravidez se sinta com menor intensidade/incómodo os movimentos do bébé, sem que tal seja um problema.

A febre alta (>38ºC). Uma situação de febre elevada deverá ser avaliada para se perceber não só a sua origem, mas também se há risco para o feto. Ter uma gripe não tem problema nenhum, mas é preciso perceber se é só isso ou se pode ser algo mais grave.

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Outros Problemas

Nem tudo o que acontece durante a gestação obriga a uma deslocação às urgências (felizmente!). Há vários problemas que surgem e que até podem obrigar a uma visita médica antecipada, mas não temos de ir a correr.

Corrimento vaginal com prurido/ardor e/ou mau odor. As infeções vaginais, nomeadamente a candidíase vaginal, são frequentes e devem ser sempre tratadas. Assim, se estes sintomas ocorrerem, deve-se procurar avaliação médica (seja pela Ginecologia/Obstetrícia, seja por exemplo pelo Médico de Família) para que se faça um diagnóstico e se inicie o respetivo tratamento.

Ardor e/ou dor ao urinar. Igualmente, a infeção urinária (cistite), já frequente na mulher em geral, é ainda mais frequente na mulher grávida. Assim, uma análise rápida à urina confirma muitas vezes diagnóstico. As infeções urinárias na gravidez não devem ser descuradas dado o potencial de evolução facilitado para infeções das vias urinárias altas, nomeadamente infeção ao nível renal (pielonefrite).

Vómitos e/ou diarreia intensos e/ou persistentes. As grávidas também têm direito a ter a sua gastroenterite, no entanto, o risco de desidratação é maior na gravidez, com consequente risco para o bébé. Além disso, há algumas patologias da gravidez que podem cursar com estes sintomas. Por isso, vómitos e/ou diarreia que se mantêm e que sejam de uma intensidade considerável devem ser sempre avaliados. Não esquecer ainda que há uma entidade chamada de hiperemese gravídica onde cerca de 2% das grávidas têm vómitos incoercíveis que comprometem a sua alimentação e hidratação e consequente risco para ambos, mãe e bébé.

Os sinais de alarme na gravidez | Consultório médico

Não pretendendo ter sido exaustiva, espero ter ajudado a orientar o que fazer perante algumas das situações mais frequentes e muitas das quais graves, que acontecem durante a gravidez. Nunca receiem preguntar e expor as vossas dúvidas a quem vos acompanha para saberem como atuar se algo não previsto acontecer. E não esquecer que, na dúvida, mais vale pecar por excesso do que por defeito.

 

Mais uma vez, espero que o artigo vos tenha sido útil.

Até breve,

Brenda Domingues, Mãe de dois Príncipes e Médica de Família

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