Osteoporose, doença pediátrica! | Consultório de Nutrição

written by The Cute Mommy 11 Novembro, 2017

Ao preparar o post deste mês deparei-me com um artigo de uma entidade governamental americana que me deixou a pensar e, de imediato, o tema estava escolhido. Dito artigo começava da seguinte forma: “Tipicamente, quando os pais pensam na saúde dos seus filhos, não costumam pensar nos seus ossos”.

Como pai, revi-me nesta questão e como pai/nutricionista pensei que de certa forma estaria a ser um pouco negligente por não pensar convenientemente nela.

No mesmo artigo, encontrei ainda esta expressão deveras pertinente e curiosa “A osteoporose é uma doença pediátrica com consequências no envelhecimento”. 40 a 50% da estrutura óssea é formada entre os 9 e os 14 anos e 90% até aos 18 anos nas raparigas e até aos 20 anos nos rapazes. Ou seja, pouco há a fazer na idade adulta a não ser manter.

Claro está que a saúde dos ossos na idade adulta e na velhice depende em muito do período de formação da densidade óssea (como vimos acima), mas depende também de outros fatores, entre os quais a carga genética, fatores estes que não dominamos.

Estaremos a ter o devido cuidado com os nossos filhos nesta matéria? Estamos a despender o tempo necessário a pensar se os estamos a proteger ou não? Rapidamente chegará à conclusão que não.

Posto isto, o que pode então um pai ou uma mãe fazer para que os seus filhos tenham uns ossos de ferro e envelheçam com saúde óssea?

Osteoporose, doença pediátrica! | Consultório de Nutrição

A componente alimentar, nas crianças, é o fator mais importante apesar da suplementação ganhar cada vez mais evidência científica, principalmente ao nível da vitamina D que tem um papel muito importante no metabolismo do cálcio.

Por regra e simplificando, fazer uma alimentação saudável, variada e equilibrada é suficiente para não existirem preocupações, mas, hoje em dia, é mais difícil fazer uma alimentação saudável e, é generalizada a pouca apetência para as crianças comerem legumes, havendo riscos de ingestão deficiente de vitaminas e minerais essenciais no processo, como são o cálcio e o magnésio e as vitamina D e K.

O cálcio, é fundamental. Importante dizer a este respeito que nem só de leite e derivados vive o cálcio. É sem dúvida uma das principais, senão mesmo a principal fonte, mas existem outros alimentos ricos neste mineral, como por exemplo, brócolos, couves escuras (couve portuguesa), espinafres, agrião, sardinha e ainda outros enriquecidos, nomeadamente, alguns cereais.

As necessidades de cálcio para crianças são variáveis (fontes organismo europeu EFSA):

Osteoporose, doença pediátrica! | Consultório de Nutrição

A título de exemplo, um copo de leite meio-gordo (mais ou menos 250 ml), tem aproximadamente 300mg de cálcio. Uma criança de 3 anos, com 1 copo de leite, quase atinge as recomendações e para uma criança de 10 anos se tomar 1 copo ao pequeno-almoço e outro ao lanche, também. Se por algum motivo a criança não ingerir leite, os legumes são ainda mais importantes, a título de exemplo, um dos legumes com maior quantidade de cálcio (segundo a Tabela de Composição de Alimentos Portuguesa), por 100g, é a couve galega e para atingir a mesma quantidade de 1 copo de leite, o seu filho teria de ingerir 100 a 120 g desta couve, quantidade que facilmente comprovará que não ingere.

A vitamina D é essencial para que o organismo aproveite convenientemente o cálcio. Brincar com o seu filho na rua, fazer desporto na rua fará com que os valores desta vitamina sejam mais elevados, assim como ingerir peixes gordos e óleos de peixe. Contudo, estudos recentes têm vindo a demonstrar que mesmo quem tem preocupações com estes alimentos e com a exposição solar, os valores no organismo de vitamina D são insuficientes e, por isso, a via da suplementação tem ganho adeptos. Por este motivo, o meu conselho é o de ter estes cuidados comportamentais e alimentares e aproveitar, sempre que fizer análises sanguíneas ao seu filho, para analisar também vitamina D.

A vitamina K é importante para a mineralização óssea e podemos encontra-la nas folhas de alguns vegetais (espinafres, repolho, brócolos, alface), couve-flor, etc.

O Magnésio é também importante para a formação óssea correta, contudo, este é o que lhe deve merecer menor preocupação pois é, de todas as vitaminas e minerais envolvidos, o que está mais amplamente distribuído em diversas fontes alimentares e são raros os casos de défice em crianças.

Por isso e de forma mais sucinta e resumida preocupe-se com os ossos do seu filho para que não tenha de ser ele a preocupar-se mais tarde. Para tal, basta-lhe em casa ter uma alimentação saudável que inclua laticínios. Caso o seu filho não coma ou não possa comer lácteos, já vimos que existem outras fontes de cálcio, mas, dependerá mais dos legumes e não podemos ignorar o fato de muitas crianças não os comerem, seja porque não gostam seja porque a família não tem hábito de os cozinhar.

É por este motivo que é tão bom ser nutricionista. Somos treinados para prevenir, para evitar mais do que para tratar ou para curar.

 

Até ao próximo post,

Nuno Palas – Instituto Médico Privado

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