Pílulas… o que saber | Consultório Médico

written by The Cute Mommy 7 Dezembro, 2018

Pílulas... o que saber | Consultório Médico

O uso de um método contracetivo foi talvez das opções mais libertadoras para a mulher, mas também para o casal. Poder decidir quando queremos engravidar, poder programar e planear uma gravidez, foi um grande passo na medicina e nos cuidados de saúde, mas sobretudo na emancipação da mulher.

Desde há centenas de anos que a mulher sabe como ter alguns cuidados para tentar evitar uma gravidez. Os métodos naturais (coito interrompido, método do calendário, método da temperatura, método do muco cervical…) têm o seu uso, mas infelizmente falham muito e não são completamente fiáveis. A “chegada” do preservativo por volta de 1930 (o de latex, porque já há séculos que se usavam “métodos barreira” idênticos nos mais diversos materiais) e sobretudo dos contracetivos hormonais orais em 1960, veio permitir um salto de gigante no planeamento familiar. Claro que este mesmo planeamento trouxe outros problemas como a idade materna cada vez mais tardia até ao 1º filho, a redução do número de filhos por casal com consequente diminuição da taxa de natalidade, entre outros…; contudo, essa seria uma outra discussão, ainda mais prolongada, e não será o foco do artigo de hoje.

Com o aparecimento dos contracetivos hormonais, surgiram muitos mitos e muita desinformação, mas também houve desde as primeiras pílulas uma enorme evolução ao nível da eficácia, segurança e redução de efeitos laterias, de tal forma que hoje a pílula é hoje algo banal no dia-a-dia da mulher. Só que, apesar de toda a informação de que dispomos e dada a enorme variedade de pilulas “por aí”, há ainda muita confusão à mistura. Considerando a variedade de pilulas disponíveis, há na realidade hoje a possibilidade de tentar ajustar ao mais possível o contracetivo à mulher de forma individual.

 

Mas quais os métodos contracetivos que há?

Desde que comecei a escrever, tenho-me centrado mais na pílula, mas na realidade este não é o único método contracetivo eficaz que temos disponível. E apesar de o foco serem os métodos hormonais, não posso de deixar de mencionar os restantes.

Assim, a contraceção divide-se basicamente em métodos hormonais e não hormonais, sendo que no segundo grupo teremos os métodos naturais e os métodos barreira.

 

Métodos não hormonais

  • Métodos naturais
    • Coito interrompido;
    • Calendário;
    • Muco cervical;
    • Temperatura;
  • Métodos barreira
    • Preservativo masculino/feminino;
    • Diafragma;
    • Espermicidas;
    • Dispositivo Intra Uterino – cobre (10 anos);

 

Métodos hormonais

  • Contracetivos combinados(estrogénios e progestativos)
    • Oral (diário não contínuo);
    • Transdérmico (semanal);
    • Anel vaginal (semanal);
  • Contracetivos progestativos
    • Oral (diário contínuo);
    • Injetável (3 meses);
    • Implante subcutâneo (3 anos);
    • Sistema intrauterino (5 a 7 anos)

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Convém ainda não esquecer a contraceção definitiva, que engloba a laqueação tubar (das trompas de Falópio) na mulher e a vasectomia no homem.

Salvaguardo aqui que além do preservativo, mais nenhum método protege das doenças sexualmente transmissíveis (como HIV) e que mesmo a abstinência sexual pode não impedir a sua transmissão dado que em muitas das doenças basta que haja um contacto íntimo entre o casal.

Quais as indicações para tomar a pílula

No geral, a maioria das mulheres que recorrem a métodos contracetivos é saudável e como tal todos os metidos de contraceção podem ser usados sem restrições.

Basicamente, a principal indicação para a pílula é sem dúvida o desejo de controlo da natalidade, ou seja, não querer engravidar podendo manter uma vida sexual ativa sem grandes preocupações a esse respeito.

Mas as indicações da pílula vão muito mais além disso já que muitas vezes usamos os benefícios não contracetivos para ter efeitos terapêuticos vantajosos.

Por exemplo, as mulheres com ciclos menstruais irregulares beneficiam em muito do uso do contracetivo hormonal já que este permite uma regularização do ciclo.

Da mesma forma, nas mulheres com ciclos abundantes (com menorragias) onde as perdas hemorrágicas são consideráveis, com risco de anemia ou até com história de anemia, o controlo do período menstrual (cataménio) através de um contracetivo hormonal para redução das perdas é na realidade uma das formas de tratamento e prevenção da anemia.

Outra situação muito frequente em que se prescreve um contracetivo oral, é o caso da acne, da síndrome do ovário poliquístico ou da endometriose (com a toma de progestativos continuamente). Da mesma forma algumas terapêuticas que usamos trazem consigo a contraindicação absoluta para uma eventual gravidez por serem substâncias teratogénicas (caso da isotretinoína, uma substância muito usada para tratamento da acne, mas que é teratogénica – provoca malformações no bébé).

Ou seja, a pílula vai muito além do simples controlo da natalidade e é hoje em dia usada com muita frequência como forma de tratamento/controlo em várias múltiplas situações médicas.

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Contra-indicações e precauções com a pílula

Porque nem tudo é um mar de rosas e não há bela sem senão, e sendo os contracetivos hormonais medicamentos, a realidade é que a toma da pílula também traz riscos associados. Assim, há que referir pois a existência de situações onde o uso de um determinado tipo de contracetivo pode levar a um aumento dos riscos para a saúde.

Daí que, como em qualquer terapêutica, os pros e contras devam ser bem ponderados e a escolha da pílula deva ser tão diferenciada quanto possível. É–me portanto bastante claro que antes de se iniciar a toma de um contracetivo, seja ele qual for, a avaliação e aconselhamento médico seja essencial, bem como a respetiva monitorização de efeitos não só terapêuticos, mas também dos efeitos laterais.

Se não vejamos:

Mulheres que frequentemente se esquecem de tomar o comprimido da pílula estão mais expostas a uma gravidez indesejada. Assim, estas mulheres são candidatas a usar antes um método que não seja de toma diária – desde o anel vaginal (semanal), ao adesivo (semanal), ao implante subcutâneo (3 anos) ou ao sistema intrauterino progestativo (3 a 7 anos), há várias opções sendo ainda possível individualizar entre elas mediante as preferências e necessidades da mulher;

Mulheres hipertensas – a tensão altaé um dos riscos de quem toma uma pílula hormonal combinada (devido ao efeito dos estrogénios). Assim, mulheres que desenvolvem hipertensão sob uma pílula combinada, devem suspender a mesma e/ou trocar o tipo de contraceção para um progestativo contínuo por exemplo. Da mesma forma, uma mulher hipertensa não deve iniciar nunca uma pílula com estrogénios na sua formulação;

Doença cardiovascular, cerebrovascular, diabetes, cancro de mama ou enxaqueca com aura – todas representam contraindicações absolutas ao uso de pilulas com estrogénios dado o risco de novos eventos potenciados por estes ou agravamento da patologia de base.

Epilepsia – regra geral, as mulheres com epilepsia sob terapêutica anti-convulsivante, devem fazer um progestativo isolado dado que os estrogénios estão contraindicados por interferência entre medicamentos.

Menorragias e/ou anemia – Mulheres com hemorragias menstruais abundantes e mulheres que sofram de anemia (mesmo sem que haja um cataménio aparentemente excessivo) beneficiam em usar um contracetivo hormonal já há que este vai induzir uma redução significativa das perdas podendo mesmo ser terapêutico em muitas situações de anemia. Da mesma forma, nas mulheres com anemia e/ou menorragias, está desaconselhado o uso do dispositivo intrauterino de cobre, já que este aumenta o fluxo menstrual. Este dispositivo deve ficar reservado para situações de doença que contraindicam a toma de qualquer tipo de contracetivo hormonal e onde seja precisa uma contraceção eficaz de longa duração.

Mulheres fumadoras com mais de 35 anos – dado o aumento exponencial do risco de eventos trombóticos, (aumento da viscosidade sanguínea e formação de coágulos no sangue), na associação tabaco-estrogénios, está recomendado que as mulheres que se encaixem neste perfil suspendam os estrogénios do seu método contracetivo habitual. Claro, que o ideal será sempre deixar de fumar, mas no entretanto, a troca deverá ser realizada, em especial a partir dos 35 anos de idade.

Sabendo que era uma missão impossível falar em poucas páginas de todos os métodos contracetivos, espero que esta pequena abordagem vos possa ser útil numa orientação geral em relação ao uso da pílula, que apesar de banal hoje em dia, não deixa de ser um medicamento, uma terapêutica médica e que deve ser orientada como tal.

Até breve,

Brenda Domingues, Mãe de dois Príncipes e Médica de Família

 

 

 

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