(Pré-)eclâmpsia… Uma das mais temidas | Consultório Médico

written by The Cute Mommy 8 Novembro, 2018

(Pré-)eclâmpsia... Uma das mais temidas | Consultório Médico

Felizmente que a medicina avançou muito, o conhecimento médico igualmente e agora temos a grande maioria das grávidas com gestações vigiadas, pelo menos nos países desenvolvidos.

Antes desta era, a morte materna e a morte fetal e perinatal, eram muito altas como todos sabemos, sendo que Portugal tem atualmente das taxas mais baixas de morbimortalidade materna e fetal.

Contudo, uma das grandes causas de complicações na saúde das nossas mulheres e bébés, é a pré-eclâmpsia, uma doença grave por si só mas também pelo seu potencial de evolução para eclâmpsia e para o síndrome de HELLP, onde o risco de morte quer da mãe como do bébé é elevadíssimo.

 

O que é a pré-eclâmpsia?

A pré-eclâmpsia é uma doença da grávida, que surge habitualmente na segunda metade da gravidez (geralmente após as 20 semanas). Apesar de mais raro, pode acontecer antes das 20 semanas, comportando um risco ainda maior, ou após o parto durante o puerpério.

Como já mencionada, é uma doença exclusiva da gravidez e que condiciona elevado risco para a mãe a para o bébé. A pré-eclâmpsia pode evoluir para eclâmpsia, no caso de surgirem convulsões maternas durante a pré-eclâmpsia e aumenta o risco de a mãe desenvolver um problema denominado de Síndrome de HELLP (Haemolysis, Elevation of Liver enzymes, Low Platelet countHemólise (que é a destruição das células do sangue), elevação das enzimas hepáticas, e baixa de plaquetas). A síndrome de HELLP é extremamente grave e obriga à terminação da gravidez com provocação do parto, quase sempre, de emergência.

A pré-eclâmpsia define-se quando há elevação sustentada da pressão arterial (superior a 140/90) e um ou mais dos seguintes:

Proteinúria (aparecimento anormal de proteínas na análise de urina) ou alterações de novo da função renal;

Alterações da função hepática;

– Baixa de plaquetas.

Embora a elevação da tensão arterial não seja exclusiva da pré-eclâmpsia, é sem dúvida um dos principais fatores que nos faz, a nós médicos, pensar na sua possibilidade. Há grávidas apenas hipertensas, e por isso é que a pré-eclâmpsia não se define apenas por elevação tensional, sendo necessários os outros fatores associados.

A presença de pré-eclâmpsia faz com que de imediato essa mulher passe a ter uma gravidez de alto risco pela gravidade desta doença e pelo seu potencial de evolução situações ainda mais gravosas. A eclâmpsia acontece quando além dos fatores já descritos para a pré-eclâmpsia, surgem convulsões na grávida.

Embora a medicina tenha avançado muito, não se consegue ainda saber exatamente porque surge a pré-eclâmpsia ou porque evolui para eclâmpsia ou mesmo para a síndrome de HELLP. O que parece ser mais razoável e mais credível no momento, é que a sua causa seja multifatorial, sendo que um grande fator será um “mau” funcionamento e desenvolvimento da placenta.

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Sintomas da pré-eclâmpsia

Muitas vezes a pré-eclampsia é assintomática e, portanto, decorre sem sintomas, até o diagnóstico ser feito habitualmente em consulta programada de vigilância da gravidez.

Contudo, há muitos casos em que já antes de ser estabelecido o diagnóstico, existem alguns sintomas que são, no entanto, interpretados pela mulher como sendo “próprios” da gravidez.

Assim, a pré-eclampsia cursa muitas vezes com:

– Edemas das pernas, tornozelos, mãos e/ou face e ganho de peso (este habitualmente em pouco tempo devido ao inchaço generalizado por retenção de líquidos e não por ganho de massa gorda ou devido ao crescimento do bébé);

– Diminuição da diurese (da quantidade de urina produzida por dia);

– Elevação da pressão arterial (superior a 140/90mmHg, na pré-eclâmpsia grave superior a 160/110mmHg) – obrigatório para o diagnóstico;

– Perda de proteínas na análise da urina;

– Dores de cabeça (cefaleias);

– Alterações da visão, com visão desfocada ou enovoada;

– Náuseas e/ou vómitos após o 2º trimestre de gravidez;

– Dor abdominal.

O aparecimento de dor abdominal, sobretudo sobre o lado direito, com ou sem irradiação para o ombro direito, bem como o aparecimento de dores de cabeça com alterações da visão, numa mulher com pré-eclâmpsia, deve sempre fazer suspeitar uma síndrome de HELLP. No entanto, é importante salientar que não raramente se faz o diagnóstico da síndrome de HELLP sem que antes tenha sido estabelecido um diagnóstico de pré-eclâmpsia.

 

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Tratamento

O tratamento da pré-eclampsia, inclui medicação anti-hipertensora e medicação para prevenção de convulsões.

O repouso faz parte do tratamento, já que a pré-eclâmpsia torna a gestação de alto risco para mãe e bébé pelo risco de complicações. Nos casos mais graves, poderá ser necessário tratamento (e vigilância) hospitalar, com repouso absoluto da mãe e a indução do parto mais precocemente como forma de evitar o aparecimento quer da eclâmpsia (já que as convulsões comportam um elevado risco de complicações para mãe e bébé), como o aparecimento da síndrome de HELLP (com risco de lesão grave do fígado e rim, de hemorragia grave e de morte materno-fetal).

Contudo, o tratamento definitivo de qualquer uma, será a terminação da gravidez com a realização do parto, mesmo que em alguns casos nó saibamos que algumas mulheres vão ficar ligeiramente piores após o parto.

 

Fatores de risco para pré-eclâmpsia

Existem alguns fatores de risco identificados para esta doença, nomeadamente:

– Ser a primeira gravidez;

– Idade materna superior a 40 anos ou inferior a 20 anos;

– Mais de 10 anos de intervalo entre gravidezes;

– Hipertensão prévia;

– Diabetes prévia;

– Doença renal prévia;

– Obesidade materna (IMC>30kg/m2);

– Gravidez de gémeos;

– Síndroma do ovário poliquístico;

– Doenças autoimunes (como o lupus, síndrome anti-fosfolipídeo, artrite reumatóide, sarcoidose ou esclerose múltipla);

– Raça negra;

– Fertilização in vitro;

– Pré-eclâmpsia/Eclâmpsia ou HELLP anteriores;

– Familiares diretos com história de pré-eclâmpsia (mãe, irmã, avó ou tia).

 

Riscos da pré-eclâmpsia

Como já foi sendo dito, a prematuridade é a complicação mais frequente, dado que se opta por terminar a gravidez como forma de tratamento da pré-eclampsia, especialmente nas graves como forma de evitar outras complicações. Mas, além desta, dado que a pré-eclâmpsia se deve a uma deterioração/doença dos vasos, e havendo compromisso no fluxo e no limite na oxigenação do bébé, a restrição de crescimento intrauterino, com consequente baixo ou muito baixo peso ao nascimento (e consequentes riscos associados).

A pré-eclampsia aumenta o risco de morte materna (e consequentemente fetal) por vários fatores, desde o acidente vascular cerebral, ao edema pulmonar, à convulsão com coma ou lesão cerebral e às complicações do HELLP já descritas anteriormente.

Embora este assunto seja um pouco assustador para qualquer mulher que deseje ser mãe ou que já tenha sido mãe, a informação creio que é sempre a melhor arma que temos contra muitas doenças. Se soubermos o que identificar/procurar, diagnosticamos mais cedo.

Espero que esta informação, apesar de longa, vos seja útil.

Até breve,

Brenda Domingues, Mãe de dois Príncipes e Médica de Família

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