“Sinais” | Consultório Médico

written by The Cute Mommy 6 Julho, 2018

“Sinais” | Consultório Médico

Acho que que é partilhada praticamente por todos a preocupação com os sinais de pele (medicamente denominados de nevos). Acho que até hoje não conheci uma pessoa que não tivesse um “sinal”. Eles originam-se devido à formação de aglomerados de células produtoras de melatonina (os melanócitos). A melatonina é o pigmento que dá cor à nossa pele, e que por exemplo é destruído nas pessoas com vitiligo.

Já vamos sabendo que há sinais que não têm problema nenhum enquanto outros há que são logo de início cancros de pele. E há outros, que sendo benignos se vão transformando acabando por se tornar malignos (cancro). Sendo um tema é muito importante, nunca é demais voltar a relembrar.

 

Tipos de “sinais”

Há na realidade muitos tipos, mas para simplificar podemos usar categorias. Assim, por um lado temos os nevos congénitos (aqueles que já nascem connosco e não dependem da exposição ao sol) e os nevos adquiridos (mais comuns e que vão surgindo na infância e ao longo da vida).

Há vários fatores na origem dos sinais, desde genéticos (história familiar, alterações genéticas) a ambientais (exposição solar, nomeadamente aos raios ultravioleta). 

A importância maior dos sinais, além da parte cosmética, é sabermos que um número considerável de lesões são consideradas como de risco potencial para o aparecimento de melanoma maligno (o cancro de pele mais temido) bem como de outros eventuais cancros.

Outras lesões há, que não sendo um nevo, são igualmente de risco para cancro de pele (caso das queratoses actínicas por exemplo que são lesões de pele pré-malignas e que evoluem para carcinoma espinocelular).

 

Fatores de risco

Pessoas de pele clara (incluindo olhos e cabelos claros), com sardas, com elevado número de nevos comuns, com vários nevos atípicos, com antecedentes pessoais ou familiares de cancro de pele (melanoma e não melanoma), sensibilidade ao solincapacidade para bronzear, com antecedentes de queimaduras solares frequentes e/ou intermitentese pessoas com alguns tipos de nevos congénitos, têm maior risco de cancro de pele (melanoma e não melanoma).

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Sinais benignos

Os nevos são lesões melanocíticas benignas e são múltiplos e variados. Desde as sardas (efélides) aos lentigos (manchas de pele acastanhadas), aos nevos comuns ou aos nevos azuis. A mancha mongólica, que é uma lesão melanocítica congénita, é por exemplo uma lesão benigna. Mesmo os nevos atípicos ou displásicos são considerados benignos, embora possam estejam associados a um maior o risco de cancro de pele.

Os nevos comuns têm uma evolução característica: começam como lesões acastanhadas, planas, simétricas, bordo regular e de cor homogénea. Inicialmente são de pequenas dimensões e situam-se na junção dermo-epidérmica e por isso mesmo chamam-se de nevos de junção; com o passar do tempo e à medida que vão atingindo a derme superficial tornam-se mais elevados tendo a designação de nevos compostos. As lesões que são mais salientes e menos pigmentadas envolvem apenas a derme têm o nome de nevos intradérmicos.

Os nevos atípicos ou displásicos surgem também na infância e vão adquirindo características médica fora do normal (atípicas) a partir da adolescência. Ao contrário dos nevos comuns, que atingem um pico entre a 3ª e 4ª décadas de vida, os nevos atípicos podem continuar a aparecer ao longo da vida e não desaparecem com a idade. Do ponto de vista médico, são mais vezes assimétricos e/ou com bordo irregular. A sua cor pode variar entre o castanho e o vermelho e costumam ser de maior tamanho. O seu significado tem sido motivo de controvérsia e à semelhança do que acontece com os nevos comuns, há número elevado de nevos atípicos considerado como fator de risco de melanoma maligno. O problema dos nevos atípicos é que dado não seguirem o padrão, criam o receio de poder tratar-se de um melanoma maligno superficial.

Quanto maior o número de nevos, maior o risco de cancro de pele e sabe-se que os nevos displásicos são encontrados mais frequentemente em doentes com melanoma do que na população em geral.

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Melanoma

O melanoma é um dos tipos de cancro de pele mais mortal. Ele surge como uma mancha ou pequena lesão saliente, assimétrica, de bordos irregulares, com cor variável ou mais de uma cor e que cresce com o passar do tempo. Também pode começar como um nevo plano que ganha volume/espessura com o passar do tempo. Em casos mais raros, pode até não ser pigmentado. Ao contrário dos nevos comuns, que surgem mais frequentemente em áreas expostas ao sol/radiação, o melanoma surge também em áreas sem exposição solar.

Aprender a VER os sinais

Em média, um adulto jovem possui entre 15 e 30 nevos. Normalmente, os nevos comuns caracterizam-se por forma arredondada ou oval e são simétricos; o bordo é regular, bem delimitado e definido; a cor é uniforme, habitualmente acastanhada; a dimensão em geral não ultrapassa os 6mm e a maioria localiza-se em áreas de exposição solar (face, tronco, braços e pernas). Outra característica é que eles são idênticos entre si.

Daqui surge a mnemónica ABCDE para nos ajudar a identificar precocemente sinais suspeitos:

Assimetria – a forma das duas metades da lesão é diferente (fazer passar um eixo pelo centro do nevo;

Bordo – irregular;

Cor – variada, com várias tonalidades de castanho, preto, vermelho e branco;

Dimensão – superior a 6mm;

Evolução – alterações de relevo e/ou tamanho recentes.

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Assim, além dos cuidados com o sol que já todos sabemos (ou devíamos saber), e que também já foram abordados no blog (“Sol.. (ab)usar mas em segurança), devemos ainda conhecer e vigiar os nossos sinais de pele com regularidade, não esquecendo de procurar também nevos no couro cabeludo e em áreas do corpo habitualmente menos expostas ao sol, como a planta dos pés e entre os dedos. Esta vigilância permite-nos reconhecer não só os sinais “novos” mas também identificar precocemente mudanças em sinais já existentes de acordo com as características descritas anteriormente. Caso um sinal altere as suas características e passe a ser um “patinho feio” em relação aos outros, devemos consultar um médico para uma avaliação cuidadosa.

Mais uma vez, espero que o artigo vos tenha sido útil.

Até breve,

Brenda Domingues, Mãe de dois Príncipes e Médica de Família

 

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