“SOU MAIS FORTE QUE O MEDO!” | Consultório de Psicologia

written by The Cute Mommy 29 Abril, 2016

“SOU MAIS FORTE QUE O MEDO!” Este tema é para aqueles pais que põe a mão no ar porque se inquietam e procuram entender o mundo dos medos infantis, e são muitos! Sobre o medo infantil o que vos posso dizer é que este faz parte do desenvolvimento saudável, é um fenómeno universal em todas as culturas e tempos. Todas as crianças o vivenciam e este cumpre um papel importante de protecção e adaptação perante situações potencialmente perigosas e ameaçadoras para o indivíduo. As sensações fortes e desagradáveis que provocam servem para afastar as crianças dos perigos, e vejam lá se não é verdade, quantas vezes ouvimos os pais a dizerem “…até é bom o meu filho sentir medo porque assim tem mais cuidado…”.

A grande parte medos infantis é passageiro, próprio da idade, desaparecem por si só e sem necessidade de recorrer a acompanhamento terapêutico. A seguir, apresento uma tabela com medos típicos de acordo com a faixa etária, com mudança constante do objecto temido:tabelaTodavia, existe o medo patológico (fobias e ansiedade) que se torna desadaptativo e desproporcionado. A diferença entre o normal e o patológico depende da idade da criança, do objecto temido, da intensidade, frequência, sofrimento associado e consequências com interferência significativa no dia-a-dia.

Algumas características do medo patológico são as seguintes:

  • Sem causa real de perigo potencial;
  • Sobrevalorização das possíveis consequências;
  • Excessivamente intenso com sintomatologia física: náuseas, diarreia, desmaios, …
  • Persistente ao longo do tempo;
  • Causa enorme sofrimento psicológico;
  • Condicionamento da criança no seu quotidiano: não conseguir brincar porque tem algum medo; não conseguir ir para a escola porque tem ansiedade de separação; …);
  • Prejuízo ao nível do contacto social, escolar e lúdico.

Dicas para os pais lidarem com os medos infantis normais para a idade:

  • Oferecer confiança e segurança (e.g. “gosto muito de ti e nunca te iria dizer para fazeres alguma coisa que te fizesse mal!”);
  • Respeitar o medo;
  • Proibido subestimar os medos (e.g. “és um medricas, não precisas de ter medo porque já és muito grande”, “isso não existe, és um tonto!”);
  • Explicar o que é o medo (e.g. “serve de alerta para algo que os pode magoar ou pôr em perigo, ….”);
  • Através da linguagem verbal e gestos, os pais facilitam ou dificultam o processo de ultrapassar o medo normal ou transformá-lo em trauma;
  • Discurso coerente (e.g. “não pode dizer que o Mau não existe quando a criança chora à noite, mas durante o dia fala que o Mau existe e vem buscá-la se não comer a comida….”);
  • Ajudar a criança a encarar o medo e não a fugir dele.
  • Demonstrar segurança aproveitando a fantasia da criança pode ser uma opção (e.g. “com o seu filho e de mãos dadas vão trancar o monstro no armário tão bem tão bem e ele nunca vai conseguir sair dali” ou “com a sua varinha mágica de princesa vai fazer um feitiço que o medo vai ficar fraquinho, pequenino, sem forças e sem voz”);
  • Ajudar a identificar e expressar o que sente com o medo e tratar do medo como se ele fosse algo externo ao corpo da criança e não como algo que existe dentro dela (eg. “já vi que o medo apareceu outra vez aqui mas vamos já mandá-lo embora!”);
  • Ajude-o a identificar em si próprio as sensações de medo (e.g. ficar a tremer);
  • Ensinar a respirar com calma e pelo abdominal;
  • Mostrar a diferença entre medos bons e medos maus (e.g. ”existe o medo que te protege e deves respeita-lo de… especificar as situações/lugares potencialmente perigosos, e existem os medos maus que são aqueles medos das bruxas, fantasmas, vampiros, dormir sozinho que não precisas de os respeitar”);
  • Ser criativo (e.g. inventar e desenhar planos e truques para vencer os medos);
  • Elogiar a criança quando arrisca a enfrentar o seu próprio medo.

Espero que tenham gostado.

Até breve

Núria Silva

“SOU MAIS FORTE QUE O MEDO!”

Imagens retiradas do Google

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