Muito recentemente, a Academia Americana de Pediatria publicou, na sua revista científica recomendações sobre esta matéria, desaconselhando os sumos de fruta – 100% fruta, os considerados mais saudáveis, a crianças com menos de 1 ano.

Em primeiro lugar importa definir muito bem que tipos de sumos existem e quais as suas diferenças:

  1. Sumo 100% sumo de fruta – não tem adição de água, nem conservantes nem corantes. O sumo que mais se aproxima ao sumo de fruta espremido na hora.
  2. Polpa de fruta – extrato de fruta que pode apresentar-se de forma pastosa e/ou congelada, podendo ser reconstituído com água ou leite (batido).
  3. Néctar – contém apenas entre 20 a 50% de sumo de fruta, sendo o restante água e açúcar.
  4. Sumo concentrado – sumo preparado à base de concentrado de fruta por subtração de pelo menos 50% de água. Tem menos açúcar adicionado do que o néctar mas pode conter mais corantes e/ou conservantes.
  5. Refrigerantes – pela quantidade reduzida de sumo que possui na sua composição (pode variar entre os 6 e os 12%), não deve ser, na minha opinião, considerado um sumo. Pode ser gaseificado com bicarbonato de sódio, ter adição de açúcar, cafeína ou outras substâncias, corantes, conservantes, etc…

Começando pelo mais fácil, não há qualquer benefício nutricional em dar sumo a uma criança com menos de 1 ano de idade. Para além de não existir benefício, pode até ser prejudicial no sentido de poder vir a rejeitar a fruta pois, esta terá um paladar menos doce.

Outro dado inquestionável prende-se com o facto de o sumo não substituir a fruta e não poder ser usado com esse fim. Se o seu filho não gosta ou não a come, recorra a outras estratégias. Mais uma vez, não arrisque que o seu filho/a rejeite a fruta ou demore a aceitá-la novamente, por esta ser menos doce do que o sumo.

Esta questão de sabor é muito importante porque o doce é um sabor inato, e por isso, o seu filho/a contactando com ele, passará, quase que automaticamente, a reconhecê-lo e a preferi-lo. Basta citar a sabedoria popular: “O que é doce, nunca amargou”. É também importante porque os alimentos estão cada vez a ficar mais doces mesmo que sejam adoçados com edulcorantes.

Segundo estas recomendações de peritos, o sumo, se entrar numa alimentação saudável, deve ser limitado a sumo 100% à base de sumo de fruta e não ultrapassar diariamente, em crianças dos 1 aos 3 anos de idade quase 1/3 de copo (mais ou menos 120 ml), dos 4 aos 6 anos de idade, praticamente 180 ml de sumo de fruta 100% e dos 7 aos 18 anos de idade, é praticamente 1 copo pequeno de sumo (236 ml).

É muito importante dizer que estas quantidades não são recomendações, são limitações. Assumindo um cenário pior que o atual pela tendência de aumento de consumo destas bebidas, é necessário colocar travão e chamar a atenção para este problema. Por isso, é fundamental para mim que interprete isto dessa forma, não é quanto o seu filho(a) deve beber, é, se beber, não deixe que ultrapasse estes valores. Ao seu filho não lhe dê a embalagem, dê-lhe o copo e já servido. Seja você a dizer se é ao fim-de-semana, se é só nas festas ou se é diariamente e quanto. Eduque-o!

Por fim, quanto às escolhas, e apesar de vários tipos de sumo, peço algo que, de certeza, já desconfiaria, que é o facto de ser preferível o sumo 100% a qualquer outra opção pela quantidade de açúcares ser menor e muito menos ingredientes de inocuidade dúbia em crianças.

Mas, se o sumo 100% é equivalente à fruta porquê tanto cuidado na sua recomendação? O Sumo 100% é equivalente à fruta, mas uma embalagem de cerca de 200 ml de sumo, bebe-se em 3 a 5 segundos e terá praticamente o dobro de açúcar de uma peça de fruta, por mais natural que esse açúcar seja (frutose).

Este é motivo pelo qual se, até há uns anos atrás, beber um copo de sumo de Laranja natural era a personificação da alimentação saudável, atualmente, já não é bem assim pela quantidade de açúcares simples (frutose) que estará a ingerir, aumentando muito o índice glicémico.

Uma última nota, todo o artigo foi escrito numa interpretação de comportamento habitual, não defendo, de todo, que os regimes alimentares sejam eles de adultos ou crianças, não contenham exceções, o problema é que a inclusão de sumos e refrigerantes não se tem verificado ser assim tão pontual. Acho importante referir isto, porque não será pelo seu filho(a), numa festa, beber um refrigerante, uma das bebidas a evitar, que terá algum problema ou que isso será um problema.

Até ao próximo post,

Nuno Palas – Instituto Médico Privado

**Imagens retiradas do Google

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