Tabaco e gravidez não rima… Só arruina! | Consultório Médico

written by The Cute Mommy 1 Abril, 2016

Tabaco e gravidez não rima... Só arruina!

Toda a gente sabe que fumar faz mal e também todos sabemos que fumar na gravidez faz mal não só à mãe, mas também ao bebé. Fumar é atualmente a principal causa evitável de complicações na gravidez, quer para a mãe, quer para o feto e recém-nascido[1].

E se o tabaco é uma dependência, fumar na gravidez provoca a mesma dependência no bebé – porque a nicotina passa a placenta e chega ao seu pequeno cérebro em pleno crescimento e vai fazer com o que o seu desenvolvimento não seja o normal. Os efeitos deletérios e nocivos sobre o bebé são vários, não tivesse o fumo do tabaco mais de 7.000 químicos e compostos (com pelo menos 250 deles a terem efeitos cancerígenos, mutagénicos, tóxicos e irritantes, e mais de 60 a serem comprovadamente cancerígenos), produzindo ainda efeitos danosos no corpo da mãe que vão uma vez mais afetar o feto.Tabaco e gravidez não rima... Só arruina!

Assim, uma mãe que fuma ou uma mãe que está exposta ao fumo do tabaco (fumo passivo ou fumo em segunda mão), tem todos estes tóxicos a entrar na sua corrente sanguínea, a fonte de alimento e de sustento do seu bebé. E se nenhuma mãe pondera colocar acetona ou arsénico na sopa do filho (compostos presentes no tabaco), sujeitá-lo à nicotina e ao monóxido de carbono ainda dentro da nossa barriga também não parece ser algo que queiramos fazer.

Tabaco e gravidez não rima... Só arruina! A nicotina é o principal responsável pela dependência do tabaco, promovendo alterações nas nossas ligações cerebrais – ora, isto num cérebro em formação e em crescimento rápido como o do feto, tem efeitos devastadores. O monóxido de carbono literalmente faz com que o nosso bebé receba menos oxigénio, essencial à vida e ao seu pleno desenvolvimento e adequado crescimento. Acrescenta-se ainda que o efeito destes dois compostos juntos é mais do que a sua soma – eles multiplicam os efeitos um do outro. Se o monóxido de carbono não deixa que o oxigénio se fixe no sangue, a nicotina torna os vasos mais estreitos, dificultando a passagem do sangue, não só no corpo da mãe, mas também através da placenta e do cordão umbilical. É como se obrigássemos o nosso bebé a respirar por uma palhinha muito apertada e ainda lhe fizéssemos o sangue chegar a conta gotas porque a “torneira” está entupida.

Mas então, quais são os riscos a que estamos sujeitas e aos quais submetemos o nosso bebé, quando fumamos na gravidez? Vários, mas vou destacar os mais temíveis e graves:

  1. Abortamento (as grávidas fumadoras têm o dobro do risco de sofrer um aborto espontâneo em relação a uma mulher grávida que não fuma);
  2. Morte fetal/Nado morto (o risco de ter um bebé que nasce morto é muito superior nas grávidas fumadoras);
  3. Gravidez ectópica (a gravidez que ocorre fora do útero é mais frequente nas mulheres fumadoras e pode trazer sérios riscos de saúde e claro, de fertilidade);
  4. Parto prematuro (fumar na gravidez aumenta a probabilidade de a criança nascer antes do tempo, antes de estar completamente desenvolvida para poder sair da barriga da mãe, com todos os riscos que isso acarreta);
  5. Descolamento de placenta (a placenta de uma fumadora envelhece precocemente, os vasos ficam mais duros e menos flexíveis e isso aumenta o risco de a placenta se soltar, comprometendo a vida do bebé);
  6. Rotura prematura de membranas (a “bolsa de águas” rompe antes de a mulher estar em trabalho de parto o que aumenta o risco de complicações para a mãe e para o bebé);
  7. Baixo peso ao nascimento (cada cigarro, cada inalação de fumo tira literalmente gramas ao bebé que cresce dentro da nossa barriga ao favorecer uma restrição ao seu desenvolvimento pelos efeitos nocivos do tabaco);
  8. Malformações congénitas (o bebé de uma mãe fumadora tem um risco aumentado de nascer com malformações do coração, do cérebro e da face);
  9. Síndrome de abstinência neonatal (nos casos de consumos elevados de tabaco, o bebé após o nascimento sofrerá por falta de nicotina, uma vez que a sua inalação pela mãe lhe provocou dependência da mesma);
  10. Síndrome da morte súbita do lactente (filhos de mães fumadoras têm um risco 2 a 3 vezes maior de morte súbita);
  11. Doenças respiratórias e alérgicas (filhos de mães fumadoras têm maior risco de contrair infeções respiratórias graves, bronquiolites, asma, otites e alergias);
  12. Alterações do crescimento e desenvolvimento (perturbações ao nível da estatura, do desenvolvimento intelectual e comportamental são mais frequentes nos filhos de mães fumadoras; um QI mais baixo ou problemas de aprendizagem são mais frequentes nestas crianças).

Todas estas complicações que surgem ainda antes de nascer e/ou após o nascimento, têm efeitos e repercussões para toda a vida da criança. E não há um limiar seguro: todo e qualquer cigarro que se fume, é altamente prejudicial!

Como já referido antes, o tabaco é uma dependência como é o abuso de álcool ou de drogas. E infelizmente, como todos os hábitos e vícios, deixar o tabaco é difícil. Todos somos criaturas de hábitos, porque não gostamos de pensar. Por isso, mudar algo na nossa rotina, requer motivação (e muita!), consumo de energia e persistência por parte de quem quer deixar. E se ainda por cima vamos fazer algo que não só nos vais custar, mas que ainda nos vai perturbar física e emocionalmente nos primeiros tempos, ainda mais difícil é essa tarefa; isto explica a alta recorrência em todas as dependências, não sendo o tabaco uma exceção.

Mas a boa notícia é que se há altura em há uma motivação extra para deixar um vício que nos é altamente prejudicial, é a gravidez. Idealmente a mulher deve deixar de fumar antes da conceção, mas deixar logo que possível, mesmo já estando grávida, traz sempre benefícios para mãe e filho/a. E sim, reduzir o consumo é melhor que nada, mas não há um limiar de segurança! Todo e qualquer fumo traz riscos, porque os efeitos surgem logo com a primeira inalação, e mesmo com o fumo passivo, pois esse também traz os tóxicos consigo.Tabaco e gravidez não rima... Só arruina!

Por isso, partilho a ideia de que todos temos a obrigação de apoiar todas as grávidas e futuras mamãs a parar de fumar. E devemos aproveitar o momento para motivar a cessação tabágica em todos os elementos do agregado familiar, já que “toda a mulher grávida tem direito a um ambiente livre de fumo, em sua casa, no seu local de trabalho e em locais públicos[1].

Procurar ajuda profissional deve ser sempre considerado, sobretudo nos casos em que há um alto nível de dependência do tabaco. Os nossos profissionais de saúde estão cada vez mais sensibilizados para esta problemática e cada vez mais aptos a ajudar na cessação. Há maneiras de se controlar o mal-estar físico que apenas existe de forma mais intensa nas primeiras duas semanas. Por isso, se é mulher, fuma e quer engravidar ou já está grávida, deixar de fumar é o que de melhor pode fazer pela saúde do seu bebé!

Este não foi um artigo bom de escrever nem de ler, mas ainda assim, é importante e espero que vos possa ajudar, mas sobretudo que vos motive para esta luta contra o tabaco.

Até breve,

Brenda Domingues, Mãe de dois Príncipes e Médica de Família

Tabaco e gravidez não rima... Só arruina!

[1] Cessação tabágica na gravidez – Guia para profissionais de saúde. Direcção-Geral da Saúde, Lisboa. Novembro de 2015.

Imagens retiradas do google

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