Vamos de Férias | Consultório Médico

written by The Cute Mommy 1 Julho, 2016

Vamos de Férias | Consultório Médico

Chegado o verão, chegam as férias. E muitas vezes os pais têm dúvidas sobre o que devem levar caso algo aconteça fora de casa. E aqui refiro-me a algum problema de saúde, claro.

Já temos vindo a falar sobre o que fazer quando há febre (pode consultar o artigo aqui) ou diarreia/vómitos (pode consultar o artigo aqui) ou sobre os sinais de alarme que devem motivar de imediato a visita ao médico. Se há alguns cuidados dos quais ninguém se esquece de ter quando há crianças na família, como usar o protetor solar 50+ ou o chapéu de aba larga, há situações que nos podem deixar algumas dúvidas. Uma delas é exatamente o que levar na bagagem para se algum pimpolho ficar doente.

Assim, costumo recomendar, quando os pais me perguntam ou o solicitam, alguns medicamentos que considero quase tão essenciais de ter na mala de viagem quanto a água para hidratar. A saber:

– Um antipirético e analgésico – como o paracetamol e/ou ibuprofeno (mais conhecidos como Ben-u-ron® e Brufen®, respetivamente) para alguma febre marota ou alguma dor que apareça – não esquecer de atualizar a dose necessária em função do peso da(s) criança(s);

– Um probiótico – caso apareça alguma diarreia para tentar estragar as férias (há vários disponíveis no mercado a vários preços e qualquer um pode ser usado); por facilidade de toma e por servirem tanto para adultos quanto para recém-nascidos costumo recomendar o Biogaia® – 5 gotas por dia, ou o Atyflor® – 1 saqueta por dia).

– Um repelente de insetos – também é algo importante de se ter “à mão”, sendo que muitos têm idades mínimas a partir dos quais podem ser utilizados em crianças – por exemplo, o Prebutix®, usado para repelir o mosquito veículo da malária, apenas se pode aplicar em crianças com idade a partir dos 30 meses (2 anos e meio); por isso, não esquecer de consultar as indicações e precauções antes da compra.

Outros medicamentos que podem ser úteis e que costumo eventualmente recomendar, obrigam a avaliação médica prévia uma vez que devem ser usados com regras explícitas e bem compreendidas pelos pais além de obrigarem a receita e a sua dose variar com idade e/ou peso da criança. Assim, quando me parece justificar-se aconselho os pais a levarem também:

– Um antihistamínico – há vários possíveis desde o conhecido dimetindeno para os bebés (vulgo Fenistil® em gotas) ou a hidroxizina em xarope (vulgo Atarax® – este provoca maior sonolência mas por vezes é mais necessário nas comichões mais pronunciadas sobretudo à noite) ou a desloratadina (vulgo Aerius®) ou equivalente para crianças a partir dos 2 anos;

– Um antiemético – aqui novamente a avaliação médica prévia é essencial pois tem de ser usado com regras claras uma vez que por norma não se devem usar – contudo, em contexto de férias fora do ambiente normal e numa situação de menor acessibilidade aos cuidados de saúde, podem ser pontualmente utilizados até se conseguir recorrer a uma consulta médica para avaliação da situação – temos a domperidona como praticamente único possível (vulgo Motilium® em xarope).

Em relação a levar antibióticos, nunca recomendo os mesmos no caso de crianças já que se forem necessários, deverá sempre haver uma avaliação médica no momento para adequado diagnóstico do problema da criança.

Não esquecer que toda e qualquer medicação crónica deve sempre acompanhar a criança e muitas vezes é necessária uma declaração médica que certifique a sua necessidade, especialmente se houver viagens de avião.

Se as férias implicarem estadia em países estrangeiros, e especialmente tropicais, a consulta do viajante deve ser realizada a todos os elementos da família já que há necessidade frequente de vacinas específicas por doenças endémicas locais ou mesmo necessidade de profilaxia medicamentosa – a título de exemplo temos a Febre Amarela e a Malária, respetivamente. Além disso, é necessário aconselhamento dirigido em relação a medidas de proteção individual de várias doenças. É o caso dos cuidados a ter por exemplo em relação à água não engarrafada, já que em muitos países não há saneamento básico e a água está contaminada, transmitindo-se doenças por essa via.

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Para terminar, se as férias forem na Europa, também costumo recomendar às famílias que adquiram o Cartão Europeu de Seguro de Doença, que permite “a uma pessoa segurada ou abrangida por um regime de proteção social de um dos Estados-Membro da União Europeia, Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça, obter junto dos prestadores de cuidados públicos a assistência médica de que o seu estado de saúde necessitar durante a sua estada temporária em qualquer dos Estados referidos” [1]. O mesmo é gratuito, válido por três anos e é possível de obter online através da Segurança Social Direta.

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E não esquecer – se vai para um local que não conhece bem, nunca é demais perder “5 minutinhos” para saber onde fica centro de saúde, hospital ou clínica mais próximo.

Até breve,

[1] http://www.seg-social.pt/pedido-cartao-europeu-seguro-doenca

Brenda Domingues, Mãe de dois Príncipes e Médica de Família.

 

Nota: Não o tenho qualquer conflito de interesse com qualquer uma das marcas referidas no texto ou outras; a sua referência apenas serve para melhor entendimento do artigo

Imagens retiradas do Google

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